segunda-feira, 4 de junho de 2007

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E assim o tempo ia passando. As pessoas contavam o tempo e faziam suas projeções em anos. A vida tornava-se ora uma espera angustiante e impaciente de anos, ora tão rápido e transitório como a neblina que vem e passa. É certo que esse sentimento variava de pessoa para pessoa, apesar de elas mesmas terem inventado precisos equipamentos para medir aquilo que pouco antes fora provado relativo. E chegava toda semana o infortúnio daqueles dias chamados segunda-feira, que traziam consigo a dualidade do início e do fim. Deixavam as pessoas num estado de nostalgia quanto ao que elas viveram nos dias imediatamente anteriores a esse, uma sensação de fim e, ao mesmo tempo, certo desânimo frente ao novo começo que elas teriam que de novo enfrentar. Pode-se dizer que esse estado era válido para todas as pessoas do momento em que acordavam até mais ou menos meio dia. Depois dessa hora, a questão era puramente pessoal, havendo os que se livravam do tédio e os que prolongavam esse estado até o meio da semana.
E esses desprazeres levavam algumas pessoas a questionar o que de fato era a vida. Ela acontecia somente em dois dias da semana? Os outros dias eram uma existência à parte da própria vida, que serviam apenas para dar as condições necessárias de prazer e deleite àqueles dois dias? Muito sabiamente, elas concluíram que não! E ousaram corajosamente afirmar o contrário. A vida subsistia muito mais nos dias rejeitados do que nos dias desejados. E nessa perspectiva, começaram a achar graça nas coisas que inconscientemente eram deixadas à margem de suas preferências. Claro que foram apenas poucos os que chegaram a esse resultado, mas começaram a provocar certas rachaduras na sólida estrutura daquela sociedade.

2 comentários:

Cristiano Costa disse...

Mto boa a sacada do texto...

isso aeww!!!
Vivam as segundas terças quartas e quintas!!

(até pq quinta é feriado)
hehehehe



Boa Semana Digo!

Hélvio Sodré disse...

Mto legal o texto man.. minha semana fikou até melhor sob essa perspectiva. Abraço!