terça-feira, 13 de novembro de 2007

Novembro



E de repente o marasmo foi quebrado pela mudança de clima. A correlação entre esses fatores não foi inferida por todos, obviamente, o que levou a certos questionamentos por muitos esquecidos. Aqueles que se deram ao trabalho de entender que a relação existia não fizeram mais que admirar os gracejos imprevisíveis da natureza. O fim desse estado de agitação coletiva foi decretado às onze horas da noite, quando rios de água começaram a cair do céu, cancelando programas, molhando desprevenidos e recolhendo a descontração humana às suas solitárias moradias. O sentimento nostálgico que era incitado pelo constante barulho do cair de gotas trazia noções de circularidades, visualizada pelo ciclo incessante do próprio elemento que não parava de cair do céu. Confinados ao abrigo de seus tetos, os homens, fixando o olhar nas impossibilidades, se entregavam a monotonia e a monogamia. Contudo, havia aqueles que enxergavam a graça da situação e compreendiam o todo composto de milhões de pequenas partes. Viam no fenômeno processos, e nos processos ciclos, e nestes, tempo. E entendiam que sempre haveria de chover.

Um comentário:

Patty disse...

Achei uma trilha pra tocar enquanto esse texto é lido! Apesar do seu título ser "Novembro", o nome da música é "A long December" do Counting Crows. É bem bonita. Serve pra ouvir em dias de chuva tb. Bjo!