sábado, 2 de fevereiro de 2008

Ninguém é Perfeito

Há, pelo menos, três formas de erros que uma pessoa pode cometer. O primeiro estágio consiste na ignorância total, onde as trevas encobrem totalmente o caminho da pessoa, a deixando cega e desorientada, sem saber o limite entre o certo e o errado. O segundo seria o erro automático, no qual, dominado por vícios, paixões, concupiscências e impulsos – todos eles maus por natureza – o homem se precipita e profere palavras erradas ou age de maneira incorreta. Por fim, o último tipo seria o erro convicto, no qual a pessoa, embora reconheça que sua atitude é errada, não deixa de agir. Normalmente, sobre o segundo e o terceiro tipo recai um juízo de consciência sobre a ação tomada, senão antes, pelo menos após sua realização, levando o agente a um certo grau de reflexão.

O último tipo, o erro convicto, revela de maneira expressa e visível a corrupção inerente ao coração do homem, que insiste no erro para satisfazer a “concupiscência da carne, a cobiça dos olhos ou a soberba da vida”. Mostra a relutância de uma pessoa que, sabendo que o que fará não é correto, o faz porque é vencida pela maldade. Para muitos desses, andar no caminho reto parece não exercer atração; e, dominados pela vontade de satisfazer seus sentidos ou apenas de fazer o mal, desandam do percurso, apresentando desvios mentais e espirituais.

Não obstante sua condenável depravação, buscam meios de acobertar os erros, apagando até mesmo de suas memórias a remota consciência do ilícito. “Errar é humano; eu errei, mas e daí? Todo mundo erra”. Com frases pré-fabricadas em almas arrogantes e pensamentos advindos de mentes corrompidas, forja-se a filosofia de que “Ninguém é perfeito”, bastando isso para legitimar sua desobediência libertina. Esse pensamento medíocre é a desculpa suficiente para continuar errando, e, inclusive, condenar os que advertem do erro e tentam andar no caminho correto. Aliás, tentar andar no caminho correto é que vira uma atitude pretensiosa e arrogante, já que ninguém é perfeito. Ademais, forma-se uma grande torcida que torce para que os que andam de maneira reta um dia caiam, sendo, então, recebidos com gritos e escárnios. E aí, o desejo do acerto torna-se menor que o medo da queda, confortando o coração daqueles que já erram sem culpa e desistem de acertar, fundamentando seus erros em desculpas.

E nesses descaminhos de erros, como já dito, tentar ir pelo caminho certo é prepotência. Relativiza-se, pois, o que é certo ou errado, de acordo com a consciência individual de cada um, sendo a pessoa, por isso, a única que detém o direito de dizer quando está certa ou errada. E, normalmente, o correto consiste num erro já justificado. Quanto aos tipos de erros mencionados no início, a questão é que há uma involução mental. Aqueles que erram de forma convicta e sentem culpa pelo erro, logo suavizam sua auto-reprovação, passando a errar mais, e de uma forma automática, até que a consciência do erro suma por completo, levando-os ao estágio primitivo, da ignorância total. E nesse estágio de escuridão, as pessoas que dão opiniões, conselhos, recomendações acerca do que fazer ou não fazer, sobre o que é certo ou errado, não fazem mais do que agir como cegos guiando cegos.

Nenhum comentário: