quarta-feira, 2 de julho de 2008

Julho


Leu e riu. Leu e depois fechou o livro, com a certeza de quem sabe que não irá fazer nada nas próximas horas. Ou melhor, foi-se resoluto, sem olhos para trás, em busca de uma tarde na qual não houvesse preocupações. Foi isso que teve, foi isso que ele mesmo lhe ofertara como congratulações às suas horas e horas despendidas com sua cabeça. Queria, isso sim, era viver fora dela por alguns instantes, saborear a realidade mirando nada mais do que as coisas tais como são. Foi à rua. Andou sem itinerário, sentindo a liberdade de não se trancar nas masmorras de sua rotina. Observou a grama verde, levemente molhada. Viu a ação do vento quando passava penteando a grama e balançando os galhos. Olhou o céu, as nuvens, o sol. E, lembrando-se do que lera alguns minutos atrás, de que as coisas não têm significação, mas existência, quis viver e coexistir com essa realidade que lhe era esquecida. Não que concordasse com a falta de significado de tudo, mas naquela hora queria apenas existir e deixar o pensar para um outro momento. Satisfez-se grandemente em olhar para cima e ver mais que um céu de gesso e um sol de tungstênio.

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