segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Universo Atomizado


Conquanto se tenha o aquilo esperado
- que, embora seja do nada a negação,
e do tudo sendo apenas chão -
poderá se pensar adiante
e, muitas das vezes, chegar à completude

Nem tanto, porém, precisa o outro lado
que se faz com uma única atitude
Do vácuo ao ser, do vazio ao todo
E – por que não? – do chumbo ao ouro
Tudo numa imensurável amplitude
Num tempo já determinado

Trata-se de dois senhores já conhecidos
O necessário e o suficiente.
Um dá aos seus trabalhadores salário
Já o outro oferta a quem bem entende
O curso lógico desses contrários
de qualquer esforço ou vontade independe.

Andando de braços dados
Ambos almejam o resultado
Mas o necessário é fraco e falível.
Ainda que ele seja imprescindível,
Seu produto nunca será terminado.

O outro se apresenta mais atraente
É belo, forte e auto, o suficiente
Sua presença, sendo do esperado a morte
muitas vezes é chamada sorte

O necessário exige paciência
E, além da fé no Absoluto,
requer algum nível de ciência
Os segundos que formam o minuto,
A pedra que levanta o muro,
O passo que começa a corrida
Ou as quedas que constroem a vida,
Sendo partes, não são todo
Mas sendo partes, são indispensáveis
para que delas se forme o todo.

Contudo, fazendo o que se requer
não há nenhuma garantia
de, no final, conseguir o que se quer
E aí já ensinam os mais experientes
Que, por mais que se tente,
O necessário nunca será suficiente.