sábado, 18 de julho de 2009

O Tetra

Anos 50. Bossa nova, praias, Juscelino, desenvolvimento. A euforia tomava conta de um jovem país chamado Brasil, que parecia rumar a um destino glorioso. “Brasil, o país do futuro” era o slogan que se vendia lá fora e aqui dentro. Era só uma questão de tempo: esperá-lo passar um pouco para se chegar ao almejado sonho.

Mas o tempo foi passando e o futuro chegou. As previsões estavam erradas. Agora até o futuro do futuro era desacreditado, ninguém mais se deixaria levar por utopias falsas. Ditadura, anos de repressão, exílio, endividamento, inflação.

Eis que os generais se foram. A nação tinha uma nova chance. Havia quase 30 anos que o povo não saia às urnas para escolher seu presidente. A possibilidade de refazer a história renascia após tanto tempo. Tudo em vão! O primeiro presidente eleito pelo povo após a ditadura foi também o único deposto pelo processo de impeachment...

Planos econômicos fracassados, a economia em colapso. A desconfiança pairava no ar. Não se podia nem mesmo acreditar na poupança. Mas ainda havia uma fagulha de esperança na nação, personificada em um herói que representava o espírito do povo brasileiro: Ayrton Senna. Muitos ainda criam que o sonho se podia alcançar com garra, determinação e persistência, tal como Senna, Ayrton Senna do Brasil, corria suas corridas e conquistava suas vitórias.

1º de maio de 1994: morre tragicamente o último herói do Brasil. A esperança que estava correndo determinada à linha de chegada como que se despedaça contra o muro, fazendo morrer qualquer sonho. A nação fica consternada.

Ainda assim, havia uma última coisa do que se orgulhar, uma última carta escondida na manga. O Brasil era o país do futebol! Copa de 1994, nos Estados Unidos. A seleção não ganhava uma copa há 24 anos. A nação já não cria mais em si própria, uma auto-estima desgastada por sucessivas derrotas. Um futebol medíocre. Os jogadores entravam em todas as partidas de mãos dadas, como que carregando juntos o peso de um país inteiro.

Final: Brasil e Itália. Dois tricampeões mundiais. Se a Itália vencesse, seria a única seleção tetracampeã do mundo; o Brasil não seria mais o país do futebol... Pênaltis. Aflição. O mundo observa. O Brasil pára. Uma bola para fora! É tetra! É tetra! O Brasil é tetracampeão do mundo!

Analistas e historiadores discutem causas e razões para a estabilidade econômica e a consolidação das instituições desde então. Muitos querem tomar para si o mérito de ter salvado o país. Porém, o único responsável por tudo isso foi e será apenas uma pessoa: Roberto Baggio.

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