sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Mar

Em terra o homem se movimenta, explora, descobre, domina. Anda triunfante, atravessa montanhas, vales e florestas. Tudo o que precisa são de suas pernas e de seu desígnio. Contra isso, poucas coisas o podem deter. Mas eis que o poderoso ser encontra limites físicos dos quais não pode ultrapassar. À sua frente, o horizonte fixo, porém inalcançável. O homem encontra-se com o mar.

Consciente de que não possui capacidade para atravessá-lo, o ser humano é forçado a conter seu ímpeto explorador e parar diante desse grande ajuntamento de águas. Muitos estendem seus dias a contemplar essa beleza colorida que reflete o céu. Mas o que haverá do outro lado? Que coisas, criaturas, pessoas, reinos, jazem escondidos sob as águas do oceano?

Ao mar, não basta a admiração, é preciso dominá-lo. Embarcações, então, são construídas, desde as mais simples às mais complexas. Ainda assim, permanece o medo ante a grandeza do oceano. É como água a parede que separa o marinheiro experiente do náufrago, deixando muitas pretensões humanas à deriva das correntes marítimas.

O revolver das águas, afinal, não é superfície onde se possa firmar os pés. Advertidos de ondas que podem levar memórias, muitos ficam mesmo em terra, respeitando o mar. Pasmos, contemplam esse líquido espelho do céu, e ficam somente a olhar, olhar e olhar...

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