sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Todo carnaval tem seu fim

Apressados, os foliões se preparam para desfilar na avenida. As pessoas colocam suas máscaras, vestem fantasias e tentam esquecer a realidade. Enquanto isso, o bloco do governo sai à rua. Governador, Vice, Parlamentares e empresários dançam e desfilam arrogância e decrepitude. Passam incólumes e graciosos pelo caminho, deixando migalhas de panetones aos desafortunados da cidade. Celebram a libertinagem moral e política, a devassidão dos costumes, a torpeza emocional. A farra se arrasta por dias, custeada por dinheiro desviado, extorquido e sujo. A festa, afinal, é costume popular, repetida por anos e anos nessa vida cotidiana tupiniquim.

Ignoram, pois, o ditado que diz que “todo carnaval tem seu fim”, embora já o tenham ouvido por vezes. Porém, o fogo infame que sustentava a depravação se apaga. Súbito, é chegada a quarta de cinzas. Trôpegos e bêbados, eles tentam se recompor. Mas sucumbem ante a fraqueza da corrupção e a brevidade da mentira. As fantasias se rasgam e as máscaras caem. Não há mais músicas nas ruas, apenas o som de cachorros latindo.


Ainda assim, não se conformam, e tentam a todo custo reviver os momentos passados, numa desfaçatez sem limites. “O Carnaval acontece todos os anos, por que não mais um?”, pensam eles. Talvez a festa imoral se repita por mais um ano, e mais outro, e outro... Mas um dia ela acaba, e tudo o que resta são cinzas.
Alguns do povo lamentam-se com o fim trágico de toda a situação. Acham pesado o rigor da punição. Não entendem que se deve ficar feliz é com a justiça, e não com a condenação.

Um comentário:

Washington disse...

Retrato fiel da ópera bufa que inferniza os brasilienses, seu texto disseca a arrogância e desfaçatez com que a falsidade tenta usurpar o trono da verdade. Mas falhará. Sempre. Grande abraço, Washington