terça-feira, 20 de abril de 2010

Capital da Esperança


Foi numa época onde os sonhos ainda eram possíveis e as utopias acreditadas. Havia vislumbres de que se podia construir o horizonte; e o mundo, sim, o mundo ainda podia ser mudado. A esperança, no entanto, pairava como que nuvem incerta sobre a cabeça de idealistas. Era preciso que ela se materializasse. Nasceu, então, a Capital da Esperança.

Séculos antes, o mundo fervilhava em busca do saber. Houve, é verdade, uma supervalorização da razão humana, como se com os pensamentos se pudesse descobrir a cura de todos os males. O avanço das ciências naturais, alocando o conhecimento no desenvolvimento de tecnologias, mostrou que talvez isso fosse possível. Restavam, porém, duas últimas fronteiras: o homem e a sociedade. Como resolver os problemas desses dois

A sociologia e a economia tentaram explicar. Marx destrinchou a sociedade capitalista e prescreveu uma nova forma de organização social. Os embates se intensificaram. Capitalistas, socialistas, anarquistas, fascistas, liberais, populistas e revolucionários. Todos brigavam por acharem que seus métodos de construção da sociedade eram melhores do que o dos outros

Ao fim de muitas guerras, algumas delas mundiais, a luta parecia que tinha acabado. Corpos estendidos em trincheiras, pessoas dilaceradas por bombas e mentes desacreditadas de idéias. Mas a fagulha permaneceu acesa. E quis o destino que ela entrasse em combustão no ermo planalto de um país tropical. O sonho ainda vivia!

Era a possibilidade de começar de novo. Sem vícios, sem problemas, sem sotaques. Em ousadia tamanha, começou-se a sujeitar a natureza para os grandiosos engenhos da raça humana. Até lago artificial foi feito. Brasília, a cidade que nascia, solidificou a idéia de que era possível criar estruturas sociais perfeitas se devidamente planejadas.

O tempo veio para provar que o homem mais uma vez errou. Falta água mesmo com um lago artificial. Há engarrafamentos mesmo com as amplas e espaçadas pistas. Há pobreza e violência mesmo sob o olhar próximo dos poderosos da nação. Apesar disso, há ainda uma atmosfera libertária e inovadora na cidade. Uma sensação de que nenhum lugar do mundo se parece com o que se vê ao redor. Um passado tão recente que ainda se pode conversar com quem construiu os primeiros alicerces da cidade. E um futuro ainda promissor, cheio de vida e pujança, que permite que a esse lugar de céu majestoso seja dado ainda o nome de Capital da Esperança!

Nenhum comentário: