terça-feira, 13 de abril de 2010

A Ignorância em 140 Caracteres

A modernidade e sua cultura do excesso injetaram desperdícios nos singelos momentos do dia a dia. Desde a comida que vai para o lixo diariamente às baterias inutilizadas de equipamentos eletrônicos. A descartabilidade passou a ser qualidade necessária nos tempos modernos.

Internet, TV a cabo e a cultura global daí advinda despejaram quilos de informações aos nem sempre preparados espectadores. Imprescindível, portanto, aprender a garimpar entre informação e conhecimento, spam e emails importantes.

Numa realidade gradativamente esvaziada de conteúdo, a retórica passou a ser predominante; o marketing e a propaganda mais importantes que a qualidade do produto. Nesse mar de elementos ocos, vale mais o que tiver o melhor revestimento. Esses invólucros feitos para acobertar o vazio também revestiram palavras e idéias. O que importa é se expressar, prevalecer em meio ao anonimato das demasias do cotidiano.

A Internet assistiu a criação desmedida de blogs. Plataformas simples da ignorância, da preguiça e da falta do que fazer. A maioria são diários eletrônicos de pensamentos disformes, que não se submetem ao mínimo molde da reflexão ou ao crivo da razão. Mas o que vale é se expressar, se mostrar ao mundo, mesmo que não haja nada para mostrar. O layout supre qualquer ausência. Mas até essa atividade é custosa. Demanda tempo e alguns poucos pensamentos para estruturar a fala em sequências lógicas.

É preciso algo mais curto, aliás, é preciso impedir as falas longas e os discursos ávidos por transmitir alguma coisa. Desponta um excesso de inutilidades sem tamanho, compartimentadas em pequenos parágrafos sem lógica. Outrora uma rede mundial de conhecimentos compartilhados, a Internet transmuta-se em rede instantânea de fofocas da vida alheia, das quais se abre a possibilidade de ser fiel seguidor. Eis a ignorância humana em 140 caracteres!

Um comentário:

Washington disse...

Como legista de uma era, Digo mostra a que veio: trazer razão e sensibilidade a esta terra de ninguném chamada web. Brilhante análise sobre o muito que esta geração poderia ser e não foi. Parabéns Digo. Grande abraço, Washington