sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Mundo é uma bola

O mundo pára e volta seus olhos para a competição global do esporte mais popular do planeta. A euforia é grande, e a passagem desse fenômeno chamado futebol é capaz de unir países, parar guerras e dar esperança a muitos povos. Muitos não ligam, e dizem ser isso apenas mais um lazer, um passatempo supervalorizado, mas além de ser arte e paixão, o futebol possui uma compreensão tão rica quanto ampla.

O campo de futebol talvez seja um dos espaços mais democráticos do mundo. Para jogar, não é necessário altura, técnica apurada, entender regras ou ter equipamentos difíceis, como demarcações, redes ou tabelas. Basta uma bola. O resto é improviso; serve pedra, côco, madeira, e, se tiver duas traves, melhor. Dentro desse lugar, entra-se em contato com diversas facetas das relações sociais. Há a rivalidade, a figura de autoridade, a estratégia, a comunicação, a briga, o companheirismo, a vitória, a derrota, a decepção e o gol!

Particularmente no Brasil, o futebol exerce um papel demasiadamente importante. O campo de futebol é sem dúvida o espaço social mais presente no cotidiano brasileiro; basta olhar as ruas do país. Além disso, é de fato a primeira inserção em um grupo social distinto da família. Ao alcançar o mínimo discernimento, é dever da criança escolher para qual time irá torcer, como num ritual de passagem. Após essa decisão, cria-se um vínculo duradouro e firme entre a pessoa e o time, inserindo-a num grupo social que passará a qualificar a até mesmo substituir sua identidade: a torcida.

Por esse esporte apaixonante envolver um mercado milionário e pagar altíssimos salários, o lazer evolui para o sonho da profissão: “Ser jogador de futebol!”. Agora, futebol é esperança. A popularidade não é difícil de explicar. Certamente, entre pobres e negros, esse esporte é talvez o meio mais fácil de ascensão social. Subir na vida, ser alguém. Basta uma bola e uma chuteira, os campos e as oportunidades estão aí.

Em especial em tempos como esses, de Copa do Mundo, esse fenômeno aumenta sua envergadura e produz efeitos mais ricos e raros. Ora, como unir uma sociedade tratada com uma cultura de massas, e que inquietamente busca se particularizar cultuando a diversidade individual e individualista? Difícil dar essa resposta. As eleições dividem o país em grupos que pleiteiam por interesses próprios. A história e origem comuns servem mais para explicar falhas do que para agregar. Somente o futebol, a seleção e a Copa são capazes de criar uma mobilização descomunal, funcionando como um elemento de coesão social vigoroso.

Futebol é mais que lazer, que arte, cultura, paixão, elemento integrador... é simplesmente futebol! Daí porque, como dizem, o mundo é um bola!

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