quarta-feira, 21 de julho de 2010

Meninos Rebeldes

Enquanto crescia e se desenvolvia, Júlia se deparava com um novo mundo de informações que se apresentava a ela a cada dia. Apesar de imatura para absorver tantas coisas, não se podia repreender sua vontade de diminuir sua ignorância, pois logo corria a perguntar a alguém o significado do que ouvia e não sabia. Certa feita, ouviu a palavra “ateu”, e foi perguntar ao seu pai o significado.

De pronto, o pai respondeu: “É quem não acredita em Deus”. A simplicidade da resposta, pensou o pai, devia bastar para saciar a curiosidade dessa menina. Mas não. Aquela cabeça inquieta não conseguiu conceber como podem existir pessoas que não acreditam em Deus. “Em que eles acreditam então, pai?”, foi a pergunta imediata. Novamente, as coisas foram se complicando para o pai, que pensou um pouco e respondeu: “Não sei... No acaso, na evolução, sei lá”.

Pelo olhar da criança, viu o pai que a resposta não a havia satisfeito. Como o pai não dera por encerrado a conversa, e continuava ali parado, Júlia entendeu que ele buscava uma explicação melhor, e passou a aguardar. Após um pouco de tempo, o pai, ao invés de trazer definições mais elaboradas, veio com uma história.

“Júlia, agora que você está crescendo, tenho certeza que você tem amigos que não se dão muito bem com seus pais. Muitos deles não conseguem entender e conviver com algumas regras que seus pais impõem, e por isso ameaçam sair de casa. De fato, alguns definitivamente fogem de casa. Mas para onde vão? O que querem fazer? Eles não sabem, apenar querer provar para seus pais e para si mesmos que não precisam daquelas regras para viver. Depois disso, eles passam a ridicularizar seus colegas que ainda convivem com os pais, chamando-os de fracos por ainda não terem se libertados das inúteis regras de suas casas. Mas eu pergunto, filha, eles constroem casas melhores, eles comem melhores comidas, eles possuem melhores roupas, enfim, eles vivem melhor do que nas suas antigas casas? A resposta é não! Eles apenas andam pelas ruas, sem direção, sem objetivo, querendo mostrar para o mundo que eles são independentes.”

Após contar a história, o pai achou que a analogia implícita seria absorvida pela filha. Mas Júlia continuou parada, ainda sem entender a ligação entre os fatos. Ao que o pai, triunfante, retomou a fala:

“Não entende a relação, filha? Esses meninos rebeldes são como os ateus. Inquietos e inconformados, não conseguem viver com as regras estabelecidas por Deus. Diria até que não conseguem admitir a presença de uma figura mais forte e mais poderosa em suas casas. Por isso abandonam suas crenças em Deus. Mas por quê? Encontraram algo melhor? Não, apenas porque não querem viver mais em casa. Em que eles acreditam, que objetivos têm? Nenhum, como meninos que fogem de casa, eles apenas andam pelas ruas, e qualquer coisa que lhes garanta a sobrevivência é suficiente para se apegarem.”

Júlia agora havia entendido, e agregou mais uma palavra ao seu vocabulário em expansão. Curioso foi que, desde então, passou a dizer sincera e firmemente a todos os meninos que encontrava na rua que Deus realmente existe.

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