quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O sangue de Abel


“O furor é cruel e a ira impetuosa, mas quem poderá enfrentar a inveja?” Provérbios 27.4

Quantas pessoas, ao longo de toda a história do homem, são tomadas de graça por aversão às fortunas e venturas dos outros? Desejando-as para si, e como não as conseguindo, torcem para que tais dádivas pereçam a que fiquem com alguém que não si mesmo. Vício do comportamento humano, um dos sete pecados capitais, o último mandamento do decálogo, a inveja impregna-se a mente de um homem apenas para cegar-lhe de sua própria vida.

Conviver com imprudentes que prosperam ou incapacitados que governam pode ser desconfortante, é verdade. Mas logo o olhar focado na “injustiça” do sucesso de outrem passa a ignorar o muito que já se tem, querendo tão-somente o que está em posse de outros. Como assevera Bertrand Russell, “o invejoso, ao invés de sentir prazer com o que possui, sofre com o que os outros têm”. Afinal, que benefício traz a inveja? É, pois, dos vícios o mais estúpido, posto que sequer satisfaz algum prazer distorcido.

Não à toa, é chamada por vezes de arma dos incompetentes. É a ela que se apegam certas pessoas que, para sentirem-se grandes, esforçam-se para diminuir os outros. Como áspera corda é atada nos pés do próximo pelos medíocres e vis, que suam para puxá-lo ao buraco de sua miséria.

É pela inveja que o homem prefere que todos morram a ver alguém sobreviver; prefere que todos continuem pobres a ver alguém enriquecer; prefere que todos fracassem a ver alguém bem suceder. Inclinação que leva a pessoa a amputar o próprio dedo para colocá-lo em alheio anel, vírus que tomou Caim, monstro que quis o sangue de Abel.

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