sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

As Ideias

Um pouco antes da cortina se fechar aconteceu o que todos já esperavam e muitos não acreditavam: nosso (ex) presidente Lula negou a extradição ao suposto assassino Cesare Battisti. O italiano, militante de um grupo radical armado, foi condenado em seu país por quatro assassinatos na década de 1970. Processado e julgado, foi condenado à prisão perpétua. O destino o trouxe até aqui como fugitivo. Daí o pedido italiano da extradição, requerendo o envio do italiano a fim de que seja julgado em seu país.

Aqui o caso virou novela. Setores de esquerda erigiram a bandeira dos direitos humanos e da perseguição política para negar a extradição a Battisti. Outros pugnaram pelo envio dele à Itália argumentando o respeito à justiça e à democracia italiana. O fato é que a extradição foi negada, e o episódio tem suscitado problemas desnecessários. A Itália ameaça uma crise diplomática; a crise institucional no Brasil já está instalada, com o equilíbrio entre os poderes ruindo a cada dia.

É de se perguntar: vale a pena? Fosse um personagem de relevo internacional, um acadêmico, um mito no campo político... Mas Battisti apresenta-se sempre como um delinqüente, de andar melindroso e sorriso dissimulado. Não há nada nele pelo que se possa dizer que a luta vale a pena.

Por que enfrentar todo esse imbróglio internacional, então? Se as virtudes fogem à pessoa do condenado, abundam nas ideias que ele defende. Sendo partidário da esquerda, Battisti deu a sorte de cair num país cujo governante maior atendia a um partido historicamente ligado à luta pela revolução social. Foi esse um caso típico de apego desmedido às ideias desligado dos fatos.

Censurar a decisão do Judiciário de um país democrático cobre o risco dos problemas que daí podem advir, é o que pensam esses afixionados por ideologias já caducas. O povo assiste pela tevê a crise sem nada poder fazer, e alguns até ensaiam melodias velhas: “Tuas ideias não correspondem aos fatos”

Um comentário:

adinor disse...

É bom lembrar que Battisti viveu 14 anos na França, com endereço fixo, até a chegada da direita na Itália.
Ainda, sua condenação foi à revelia, em que a única prova vinha de um delator premiado. Chegou a ser condenado por dois assassinatos simultâneos, em cidades diferentes.