sábado, 30 de abril de 2011

Reis e Rainhas



Um casamento real. A união de duas instituições milenares que subsistem ao escoar dos anos. Os céticos desprezam esse delírio absurdo da humanidade, os indiferentes não cedem aos apelos da mídia. Mas um país para. Meninas sonham, analistas debatem e um terço do mundo assiste à cerimônia. O fascínio natural pelo realeza, a atração inerente pelo casamento.

A figura do rei justo e poderoso vive no imaginário popular. É um arquétipo do inconsciente coletivo, presente em todas as culturas da terra. Ao longo dos anos, a monarquia teve que ceder os anéis para não perder os dedos. Mas sua função reduzida hoje em dia é apenas prova de sua força. Na era das democracias populares, da modernidade das instituições e da eficiência do Estado, como se explica a sobrevivência de famílias que vivem em palácios apenas como símbolos da nação? Justamente pelo simbolismo.

O povo anseia por um reino forte e seguro. Um rei esperado há de vir para salvar a pátria. E há no espírito de todos uma reverência natural que nos faz prostrar diante de tronos, que nos faz vicejar ante a suntuosidade da realeza, que nos faz triunfantes com a glória da majestade. E por isso ainda existem reis e rainhas. Ainda que não governem de fato, eles mantêm acesa na nação essa esperança do reino justo.

E a união solene entre o homem e a mulher amada é ainda o selo social que autentica seu amor e relacionamento. As novas formas de contato, a virtualidade da comunicação, a instantaneidade dos prazeres e o abandono do compromisso marcam uma incipiente geração. Por que, então, prender e limitar o amor a formas determinadas? Por que assumir responsabilidades que tolhem o prazer e a liberdade? Por que se casar?

Nessa nova realidade contingente, as águas das relações afetivas tornaram-se difusas e confusas, perdendo a clareza e a limpidez de outrora. Mas seu curso ainda segue desaguando no oceano do casamento. Não adianta sustentar uma relação de namoro por longos anos, não importa morar junto sem formalidades. È preciso celebrar o casamento. Manifestar ao mundo a união formada, dar satisfação à sociedade, comprometer-se diante de testemunhas de que um amará o outro até o resto de suas vidas.

A realeza e o casamento sobrevivem na história porque vivem no espírito humano. Um casamento real revela o fascínio dessas duas instituições. E como diria alguém, na verdade todo casamento é real, pois somos todos reis e rainhas da criação. Meninas sonham em ser princesas e se casar com belos príncipes; meninos querem ser reis e vencer batalhas; e alguns, olhando para o alto, ainda esperam um rei justo e um casamento real, e suspiram: Venha o teu reino sobre nós!

Um comentário:

Anônimo disse...

Sensacional!