quarta-feira, 18 de maio de 2011

God Bless America


Há bem pouco tempo, viam-se nas ruas manifestações e pichações contra o poderio imperial dos Estados Unidos e sua interferência nas políticas internas alheias. Resquícios de um mundo polarizado e dividido em duas ideologias distintas. Sobras e restos de velhas utopias que ainda apareciam em público, nas músicas e nos jornais. Destroços de uma guerra que ainda deixava o mundo frio, inerte aos novos rumos da história. E os olhares miravam os primos americanos do norte com inveja de sua pujança econômica.

À ocasião, não havia sequer um professor de história ou geografia, ou um livro sequer dessas matérias, que não fizesse nascer nos estudantes a revolta contra o imperialismo burguês norte-americano. Os discursos apaixonados faziam crer que o socialismo era sem qualquer dúvida o melhor sistema econômico concebido pelo homem, que os problemas do mundo, a fome, a injustiça, a desigualdade, a inflação, a ditadura brasileira eram todos resultados da sede sanguinária do capital americano, e que os burocratas dessa nação impiedosa e cruel discutiam no Pentágono e na Casa Branca os planos de dominação mundial.

Eu mesmo fui vítima dessa visão. Adquiri na escola esse preconceito ideológico infundado. Mas com o tempo comecei a enxergar tudo de outra maneira. Hoje afirmo que o projeto dos Estados Unidos é uma das histórias mais bonitas da humanidade. É a história da esperança, do sonho, da vontade e da força de construir uma sociedade justa e próspera que nos é contada sempre que vemos tremular essa bandeira listrada.

Homens e mulheres, perseguidos em seus países, migram para uma terra nova, selvagem, bela. Buscam a liberdade e a possibilidade de determinar-se conforme os seus desígnios. Lá fundam cidades, exercem a sua fé, desenvolvem o comércio, lutam por sua independência. Discutem sobre política e justiça, e criam instrumentos ainda desconhecidos das sociedades de sua época: a primeira constituição escrita, o sistema presidencialista, o senado.

Com os pais da nação muito já se antevê da sociedade que daí surgiria: Washington empenha disciplina e retidão moral para levar seus exércitos à vitória na luta pela independência; Jefferson, na Declaração de Independência, afirma que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade; Franklin, em sua Autobiografia, revela-nos a criação comunitária, e não governamental, de serviços como limpeza urbana e bombeiros, e de órgãos como a biblioteca; Lincoln luta contra a escravidão e clama que esta Nação, com a graça de Deus, renasça na liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desapareça da face da terra.

A liderança e a hegemonia mundial, a supremacia econômica e a proeminência científica são meras conseqüências desse espírito inovador que forjou a nação.

Não desconsideremos, porém, os excessos, os erros, os crimes desse país. Desde o extermínio dos índios até a explosão da bomba atômica, vários foram os atos que revelaram um desvio ditatorial. Medidas e atitudes que até hoje custam caro a certos países.

De todo modo, atualmente já não há mais espaço para aquela visão satanizada dos EUA. Apenas uma posição que reconhece a nobreza de sua história e os méritos de sua sociedade, reprovando sem receios a crueldade de algumas políticas e apontando os erros de alguns atos.

(Até porque a geração Coca-Cola está muito feliz em suas viagens anuais para Miami para reclamar de alguma coisa).

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