quinta-feira, 22 de setembro de 2011

(Des)organização virtual

Foi-se o tempo em que bastava entrar no quarto de uma pessoa para poder emitir um juízo sobre sua capacidade de ser organizada. Não que a desordem e o caos total de roupas largadas ao acaso, livros e papeis espalhados e a cama ainda por fazer não possam indicar que se está diante de alguém desorganizado. Mas o contrário já não é verdadeiro.

A dinâmica virtual exige hoje novas capacidades de organização, além daquelas tradicionais. De nada adianta arrumar a casa e o quarto, guardar tudo em seu lugar e não conseguir achar um arquivo no computador, uma foto, ou um vídeo, por exemplo. Na medida em que o concreto se transforma em digital, aquele velho instinto ordenador do homem tem de se adaptar. Muitos não entenderam essa necessidade. Na verdade, quase a maioria.

Uma caixa de email não pode ser negligenciada como uma caixinha de utilidades na qual se amontoam coisas e mais coisas que não possuem outra destinação específica. Em um email transitam spams, piadinhas e conversas sem importância, mas também documentos e arquivos de valor, senhas e informações úteis. Nessa rotação acelerada do mundo, não se admite o garimpo manual e atabalhoado das informações – a antiga papelada esvoaçante perdida em gavetas e armários. Requer-se discernimento dinâmico para diferenciar e separar o ouro das pedrinhas. Requer-se objetividade para ler e apagar aquelas mensagens que não merecem ser guardadas. E quando o estrago já foi feito, requer-se tempo e paciência para excluir milhões de mensagens e organizar as remanescentes.

Além disso, o próprio computador pessoal demanda essa ordem. No tempo da foto digital, do vídeo digital, do trabalho da faculdade digital, das músicas digitais, da declaração digital do imposto de renda, dos comprovantes de pagamento bancário digital, em que há constante intercâmbio desses arquivos por email e pen-drive, impõe-se uma escolha: ou se dividem os arquivos adequadamente em pastas específicas, ou memórias e informações serão perdidas no próximo back-up (ou vírus).

A aparente capacidade ilimitada de armazenamento virtual atenua a imposição de ordem e limpeza. É como se tudo estivesse sendo empurrado para debaixo de um tapete longo demais para se preocupar. Mas os riscos existem. Um dia o tapete pode acabar, ou, o que é mais provável, em algum momento terá que se procurar ali embaixo a última peça do quebra-cabeça que foi varrida indistintamente junto com a sujeira.

É por isso que se deve atentar para essa nova necessidade de ordenação na era da informação. Demais, não é antiquado valer-se de uma velha máxima proposta por Benjamin Franklin para aplicá-la à atualidade:

Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar.

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