terça-feira, 11 de outubro de 2011

Iriny, Gisele e a Igualdade




Ministra Iriny Lopes propõe multa a boates que cobram das mulheres preço inferior ao dos homens. Apesar de beneficiar as mulheres, a prática, segundo a ministra, perpetua a desigualdade de gêneros.




A notícia acima, falsa, não está longe da realidade. A titular da Secretaria de Políticas para as Mulheres insiste em travar uma guerra inútil contra a pretensa desigualdade de gêneros, instalando batalha no mínimo engraçada contra os homens.

Primeiro foi o episódio da tentativa velada de censura à propaganda em que Gisele Bündchen aparecia de lingerie seduzindo o marido. A imagem, segundo a ministra, diminuía a posição das mulheres a objetos sexuais que utilizavam o corpo como barganha. Depois veio o ofício à Rede Globo sugerindo a alteração da trama de uma novela. A falsa manchete exposta no começo desse texto não seria difícil de imaginar.

Para evitar polêmicas, vamos do início. A opressão das mulheres pela força masculina é injusta e deve acabar. Diferenças salariais ou de tratamento baseadas unicamente na diferença de gênero são descabidas. Ademais, a violência contra as mulheres é uma brutalidade que macula toda a sociedade.

Mas a igualdade absoluta de gêneros sonhada por feministas é utopia. Não tanto pela impossibilidade quanto pela inconveniência de uma tal medida. Homens e mulheres têm constituição física diferente, hormônios diferentes, modo de pensar diferente. Tratá-los absolutamente iguais seria igualar leões e gatos (as mulheres representando os leões, para ser politicamente correto!). O envolvimento relacional de dois gêneros tão distintos compreende todo um jogo de símbolos, atitudes, falas e expressões que misteriosamente unem homens e mulheres em um relacionamento cujas diferenças se somam e não se diminuem. O charme e a sedução entram aí como recursos que visam à aproximação de pessoas desiguais.

A desigualdade no tratamento e na relação entre homens e mulheres não é uma abominação; antes, é essencial para o sucesso do relacionamento. Desde que não haja discriminação e opressão de um gênero sobre o outro, a harmonia e o equilíbrio entre homens e mulheres tende sempre à desigualdade. Só não entende isso aquelas pessoas chatas que querem reescrever a gramática quanto à flexão de gênero dos substantivos ou as que proíbem as meninas de brincarem de boneca e casinha, essas “manifestações sexistas da sociedade”.

Se a igualdade absoluta de gêneros é um assunto caro às feministas e à Secretaria de Políticas para as Mulheres, por que elas não lutam pelo serviço militar obrigatório das jovens de 18 anos? Por que elas não impugnam bares, boates e festas que cobram ingresso menor das mulheres em comparação com os homens? Por que elas não empreendem uma odisseia contra todos os filmes, novelas e músicas que tratem as mulheres como princesas a serem conquistadas, já que isso reforça a imagem inferior e dependente da mulher?

Uma vez mais: a diferença entre homens e mulheres não é apenas o que se vê na pratica, mas o que se espera na relação entre os dois. A natureza não pode ser preconceituosa. Li em vários artigos a favor do aborto um interessante argumento utilizado: a proibição do aborto fere o direito de igualdade entre homens e mulheres, pois a gestação é um dever apenas da mãe. Ora, como se fosse a natureza culpada por estabelecer que o feto se desenvolva na barriga da mulher. A prevalecer esse raciocínio, daqui a pouco será criado no governo da presidenta e da ministra uma Bolsa Menstruação para contornar a injustiça que o organismo feminino pregou às mulheres.

Além disso, para arrematar o absurdo da atitude da ministra, basta trazer à memória o famigerado PNDH 3 (Plano Nacional de Direitos Humanos 3), elaborado pela vizinha Secretaria de Direitos Humanos. O texto propõe a regulamentação das profissionais do sexo, garantindo-lhe direitos trabalhistas e prevendo ações para desconstruir os estereótipos dessa atividade (páginas 69 e 92). Dito de outro modo, quer-se profissionalizar a atividade de prostituição, sim, essa mesma que reduz o corpo e a dignidade da mulher a uma mercadoria que se pode vender.

O mesmo governo que pretende “desconstruir os estereótipos” da mulher que se vende é também aquele que censura um comercial bem humorado que contribui para “reforçar o estereótipo da mulher como objeto sexual”. Ao invés de sair por aí pregando o domínio das mulheres, a presidenta e suas ministras deveriam antes se acertar sobre o assunto; olhar para a monstruosidade do PNDH 3 ao invés de filigranas como propagandas ou novelas, sabendo que a diferença entre os gêneros não é de todo ruim.

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