sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Informação Assimétrica e a Internet


Sexta de manhã, lindo dia, saio de casa e entro no carro. E o carro nada. Sou obrigado a ir à oficina. Encontrar alguma de confiança, impossível... O jeito é se arriscar e ter a sorte de encontrar algum mecânico que ainda tenha lá no fundo um pouco de honestidade. Tudo bem, não concordo inteiramente com as generalizações, mas os estigmas que elas produzem andam aí fora atribuindo a cada um seu papel social – e a falta de credibilidade foi o que coube aos mecânicos.

Converso com o rapaz e já sinto o cheiro de enrolação. Mas vamos lá, não tenho muito o que fazer. Aliás, tenho. Tenho que comprar uma peça que estava danificada. Quanto custa? O cara vai lá dentro ligar para o seu fornecedor e diz: “Cento e dez”. Tudo bem, é o jeito. Mando ele comprar e fico aguardando a peça chegar.

Mas só por curiosidade, pego o meu celular e consulto o site de uma loja de peças automotivas. Será que eles têm aquela peça? Sim; vamos ver quanto custa... Sessenta reais! Ora ora... E a máscara se quebra! Falo com o mecânico, ele fica um tanto encabulado, meio sem jeito, tenta balbuciar algumas desculpas, fala de garantia, qualidade da peça, mas afinal acaba cedendo e baixa o preço.

E o que esse simples episódio tem a ver com a teoria econômica e a modernidade? Tudo.

Em síntese, a clássica teoria econômica aponta o mercado como o mais eficiente alocador de bens e serviços de uma economia. A conjugação das curvas de oferta e demanda se harmonizam em um preço capaz de distribuir eficientemente os bens. Mas em certas situações, esse mecanismo apresenta disfunções que não levam a economia a um equilíbrio ótimo. São as chamadas falhas de mercado.

Uma dessas falhas consiste na “informação assimétrica”. Nessa situação, os agentes que irão realizar uma transação econômica têm informações diferentes sobre determinado bem, de sorte que a assimetria prejudica a troca. O exemplo tradicional é o mercado de carros usados. Apenas o vendedor tem o pleno conhecimento do produto, pois ele conhece se o carro é bom ou ruim. O comprador se limita a olhar, fazer um test-drive e confiar na palavra do outro. George Akerlof, vencedor do prêmio Nobel, estudou tal falha de mercado analisando justamento o mercado de carros usados. Concluiu que mantidas essa condição de assimetria da informação, o mercado seria inundado pelos carros ruins, ou “lemons” como ele chama.

Ocorre que a internet tem funcionado como um oceano de informações públicas. E essa informação que circula na rede não é institucionalizada; é pessoal, informal e compartilhada. Um clique no Google e você sabe o preço de qualquer produto, as opiniões sobre determinada marca, ou o que os consumidores do mundo inteiro têm a falar sobre sua próxima compra. O poder da informação está lá na web, regulando a qualidade de bens e serviços e coibindo abusos para quem souber usá-lo.

Se vivemos a era da informação, felizes aqueles que se apoderam dela!

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