sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Estatuto da Juventude

Agora é oficial, a juventude termina aos 30! A Câmara já aprovou. O Senado está no meio do processo, mas em vias de aprovação do Estatuto da Juventude, lei que dispõe sobre direitos e políticas públicas aos jovens do país.


No texto do diploma, considera-se jovem as pessoas entre 15 e 29 anos. Todo aquele papo de geração Y, da adolescência tardia, de síndrome de Peter Pan saiu da especulação de psicólogos para se concretizar em política pública.


Não custa lembrar que a infância foi um conceito criado pelo iluminismo, numa época em que o homem queria preservar a “pureza original” dos seres humanos e resguardá-los da maldade da sociedade. Proibiu-se o trabalho infantil e pugnou-se pela educação dos infantes. Justo. Mas daí a proteção se estendeu aos adolescentes. A imaturidade da transição entre a infância e a idade adulta justificou retirá-los do universo do direito – até os 18 anos, ninguém responde juridicamente pelos seus atos. Agora é a vez da juventude. Impende ao Estado proteger, promover e contribuir para o desenvolvimento dos jovens, entendidos esses como quaisquer marmanjos até 29 anos.


É de se pensar o que essa superproteção traz de benefício. Porque o jovem Machado de Assis, antes dos 20 anos, já era um escritor assíduo e celebrado no meio cultural; e nossos jovens universitários de hoje passam a tarde depredando a USP, defendendo “direitos” de índios e fazendo passeatas pela legalização da maconha. Na idade em que muitos foram coroados reis, nossos adolescentes não assumem a responsabilidade de arrumar a própria cama.


Alguém há de objetar que os tempos e o sistema requerem uma nova abordagem para a problemática dos jovens. Claro, aí estão o desemprego, a incapacitação profissional, a desinformação, as drogas, a gravidez precoce e uma selva chamada sociedade pronta para engoli-los na proporção de sua imaturidade. E a culpa é do sistema econômico, da precariedade do ensino e do bullying.


Deixem os jovens falar. Deixem protestar, se rebelar, mesmo que sem causa. Deem a eles férias das responsabilidades e dos deveres, deem lazer, festas e carnavais.

Todos os sofismas psicológicos não têm feito mais do que mimar as gerações atuais e prendê-las a justificativas vãs de sua rebeldia e irresponsabilidade. E o pior de tudo é que agora todos nós dividiremos a conta. A conta de recursos públicos gastos com jovens de 30 anos.

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