sexta-feira, 13 de julho de 2012

Facebook: o paradoxo

A ideia era revolucionária, é verdade. Quando foi lançado, o Facebook pareceu reunir todas as virtudes da internet em um mesmo lugar. Mark Zuckerberg, o gênio milionário por trás da ideia, demonstrou entender a potencialidade de socialização disponível na rede mundial.

Criar uma plataforma onde as pessoas pudessem compartilhar tudo com sua rede de amigos era uma ideia aguardando para ser materializada. A tendência é própria dos nossos tempos: compartilhamento, velocidade, multitarefas e interatividade, e enfim a promessa se tornou verdadeira com a criação do Facebook e sua posterior popularização.

Inebriados pelo sucesso do site, muitos tentaram creditar ao Facebook a responsabilidade por alguns fenômenos recentes, como a primavera árabe, por exemplo. Não se sabe o quanto disso tudo é verdade. Mas não se pode negar o valor dessa imensa rede de compartilhamento global, capaz de criar tendências e circular informações de forma descentralizada.

O próprio Zuckerberg é otimista ao dispor sobre as possibilidades de sua criação. Diz ele que o marketing tradicional perde a capacidade de vender produtos ruins, uma vez que a opinião pessoal amplificada pelo Facebook tem o poder de destruir campanhas publicitárias bem feitas. Seja um filme ou um produto, a propaganda que tem mais eficácia é a dos seus amigos próximos. Zuckerberg chega a falar da utilização política do site, já que políticos do mundo inteiro não têm como ficar alheios ao que repercute nas redes sociais. Alguns analistas vão mais além, falando na possibilidade de uma democracia direta, remontando à ágora grega, já que agora qualquer cidadão pode ter sua opinião ouvida e considerada.

Como uma grande empresa, o Facebook conseguiu vender todas essas promessas no seu IPO na Bolsa de Valores. Mas desde então, o valor de mercado da companhia não parou de cair. Tão rápido chegou ao topo, tão rápido parece declinar. O que há de errado com a empresa de Palo Alto?

Bom, o fenômeno é de certo modo comum com as empresas de internet. Como ocorreu com a explosão da bolha das pontocom em 2001, os analistas se dão conta de que os bilhões investidos em todo um mundo virtual não podem superar o parque industrial, o investimento real ou os milhões de funcionários de algumas das grandes empresas do mundo.

No entanto, o Facebook diferencia-se das outras empresas da internet por carregar um paradoxo inoculado em sua estrutura. Como suportar a fixação de um lugar virtual específico para o desenvolvimento da rede social, quando o que se promete é o compartilhamento não institucionalizado? Em outras palavras, o Facebook é apenas uma plataforma de compartilhamento, mas como exigir que ela seja a única? Por isso críticos argumentam que o site de Zuckerberg é apenas uma tendência fadada ao esvaziamento em um futuro próximo.

Até porque uma rede social sobrevive de amigos e conhecidos, e você apenas vai onde eles estão. Foi o que aconteceu com o Orkut no Brasil. De repente, se viu um êxodo em massa da plataforma do Google, e então todos estavam no Facebook. O Google +, ainda com design e acessibilidade horríveis, ronda os arredores do Facebook, pretendendo ser a nova moda.

Outro paradoxo observado nas páginas do Facebook não vem de sua lógica interna, mas do uso que fazem dele. As fotos de uma felicidade artificial, as opiniões forjadas para chamar a atenção, ou a privacidade devassada cruamente estampam o inverso do que se esperava com o site: a antissocialização. Danos psicológicos são comuns em adolescentes que não encontram a medida certa do que expor na plataforma e o quanto absorver e acreditar nos posts dos seus amigos na rede social.

Realmente a ideia é boa. Mas resta saber quando os paradoxos internos do Facebook subverterão suas virtudes sociais.


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