quinta-feira, 26 de julho de 2012

Teenage Dream

Juventude! A primavera da vida, a idade na qual Salomão instou-nos a olhar para o horizonte e correr atrás daquilo que nossos olhos pudessem enxergar. Vigor e força coroam de glória essa idade. Anos em que se sonha, se experimenta e se descobre o doce sabor da vida. Tempos onde desabrocha a beleza de sorrisos apaixonados, de amizades memoráveis, e de momentos encantadores.

Mas a juventude é apenas uma fase da vida incrustada na linha do tempo. Conforme se movem os vagões dos anos, lá atrás vai ficando a época em que se foi jovem, como uma estação a se perder no horizonte. A pele enruguece, os cabelos caem, a postura se curva, a vista falha, a memória engana, e a força se dissipa – chega-se à velhice. A sombra da morte já escurece o vigor do corpo.

É necessário fugir da evidência clara de que os anos passam e a morte se aproxima. É preciso driblar a velhice. É preciso continuar para sempre jovem. Quem apresentará ao mundo o elixir da eterna juventude? Quem nos salvará dos açoites do tempo?

O corpo pode ser instrumentalizado e disciplinado para preservar a beleza dos jovens. Uma boa dieta pode reduzir os radicais livres que caminham pelo organismo. Suplementos alimentares e um plano semestral na academia podem tonificar os músculos. Aulas de Pilates ou Yoga contribuem para a plasticidade da pele. Mas o que fazer com as rugas, essas malditas rugas? Plásticas, cosméticos e maquiagem não resolvem, mas ajudam a esconder a indignidade da velhice. Pronto, com esse arsenal é possível prolongar a juventude, quem sabe até aos quarenta anos...

Ainda assim, ter uma aparência jovem não basta, é preciso cultivar um espírito jovem. Não, aqui não se utiliza o termo jovem para se referir àquela boa disposição com que se leva a vida. O espírito jovem que se busca envolve toda a ignorância, inconseqüência e imaturidade muitas vezes comum aos jovens. As responsabilidades e a rigidez da fase adulta têm de ser jogados fora para que se possa viver o ideal da metamorfose ambulante, do born to be wild, do garotão que se descobre aos quarenta. Volta-se ao estilo de vida adolescente, adapta-se o guarda-roupa, incorporam-se gírias, vai-se às baladas. “Sem arrependimentos, apenas amor, nós podemos dançar até morrer, e seremos jovens para sempre”. Nesses suspiros de curtição, onde o corpo resiste ao tempo e o espírito ignora a sua passagem, pode-se enfim viver o sonho adolescente.

No entanto, por mais que se viva essa ilusão, um dia toda ruga será revelada; por mais que se recuse passagem ao tempo, um dia ele nos atropela. A decrepitude do corpo é visível. O desvanecer da força é inevitável. A iminência da morte é real. De fato, a morte ri daqueles que se encapuzam com o manto da juventude para tentar prolongar a vida, para tentar dar sentido ao que é mortal, porque, em última instância, a luta para permanecer jovem é uma luta contra a morte. Mas ela ainda domina sobre velhos e moços.

Não há sonho adolescente que evite o pesadelo eterno, senão somente aquele que venceu a morte – Jesus. Nele há vida, há ressurreição, há algo melhor do que a juventude prolongada, que é a própria eternidade.

“E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1 Coríntios 15.54-55).

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