sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Primavera

Para quem vive na altura dos trópicos, pode não ter tanta diferença. Estações do ano não se diferenciam. Na verdade, no Centro Oeste do Brasil, há o período da seca e o período das chuvas, cada qual com aproximadamente três meses. Falar de primavera ou inverno aqui é só para marcar os equinócios. Pobre de nós...


Em lugares onde as estações são marcadas, a vida segue com propriedades cíclicas. O tempo e a mudança são revelações de uma natureza que se mostra em exuberâncias únicas e diferentes. Contemplar a mudança das estações é testemunhar o que a natureza diz ao homem em cada tempo.

E ela se manifesta em poesia pura quando chega a primavera. Não porque essa estação suceda o pesado inverno nem anteceda o estafante verão. Mas porque na crua e impessoal natureza nasce a delicadeza do belo.

O inverno traz uma paisagem de desolação, e as agruras desse clima hostilizam o pulsar dos seres vivos. Muitos tombam e a vida parece se esvair do mundo.

Mas no dia em que o dia tem a mesma duração da noite, o ar se torna mais agradável e seu frescor espalha o fôlego da ressurreição. O que antes estava morto mostra-se vivo, com força tal que a vida viceja nos campos e vales. O espetáculo de aromas e cores renova a esperança no mundo.

O galho seco e retorcido logo adquire cor e canta poesias. Esculpe formas delicadas e pinta cores expressivas, mostrando que a vida é sim de uma beleza rara, mostrando o fulgor com que a existência se refaz após a frialdade de uma estação.

Tempos de beleza estão por vir. Logo a chuva cairá e trará seu alimento, as cores voltarão e será anunciado que a primavera chegou. Ainda que as estações aqui não sejam tão definidas, a simbologia da mudança e o emblema da primavera hão de convencer os espíritos da beleza que há no mundo.

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