segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Formigas na Cozinha


Fui na cozinha fazer não sei o quê. Olho para a parede e avisto uma formiga. Essas malditas formigas de cozinha. A filosofia lá de casa é esta: cortar o mal pela raiz, tolerância zero. Em qualquer momento que se cruzar com um desses bichos, a ordem é matar. Não é maldade, é apenas um cuidado com a limpeza da casa. Me atento bem e logo vejo mais. Uma, duas, quatro. Resolvo observar bem. De onde será que elas vêm? Para onde vão? É um grande mistério.

Enquanto três estão subindo, uma já vem descendo. Na terra esses bichinhos têm sua casa, seu formigueiro. Se reúnem aos milhares debaixo do chão, e saem de lá para pegar comida. Como será dentro de casa, dentro da minha cozinha? Terão elas um abrigo secreto, ou ficam mendigando pelos cantos, dormindo cada dia em um lugar? Essa linha de raciocínio me leva a outras indagações. As formigas de casa são de elite ou são o pior tipo da espécie? À primeira vista, elas parecem limpinhas, higiênicas, de melhor estirpe que suas irmãs da terra. Mas pode não ser assim. No seu mundo, as formigas de cozinha podem ser proscritas, desprezadas, errantes em um mundo estranho. Não se sabe...

Pois bem, estava eu a olhar o eterno caminho desses bichos. Muito interessante. Quando uma passa pelo caminho da outra, elas se tocam e entrelaçam a antena, num movimento tão rápido mas cheio de significado. Aquilo certamente é um tipo de comunicação. Lá vem outra formiga, e o mesmo gesto se repete. As antenas se tocam e se mexem rapidamente. Para mim, algo do tipo “companheira, segue adiante que lá em cima tem açúcar da melhor qualidade”. Como operárias subservientes que são, a comunicação talvez se restrinja a mero cumprimento formal: “bom dia, camarada” “bom dia”. O certo é que elas falam, trocam informações.

E novamente o caminho sem fim de uma formiga na cozinha. Resolvi olhar a que estava subindo. As que estavam indo para baixo não me interessavam porque certamente chegariam ao chão para comer os farelos de bolo que eu derramara há pouco. E então a formiguinha foi subindo até chegar ao armário. De repente, sumiu. Teria ela achado uma brecha no cantinho da madeira, ou estaria andando de cabeça para baixo na base do armário. Fui verificar. Abri a porta, entortei o pescoço e nada. Que raios de bicho!

Pensando bem, deixa elas viverem um pouco mais. Depois dessas observações atentas acho que me compadeci um pouco. Mas, afinal, o que vim fazer mesmo na cozinha?

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