sexta-feira, 15 de março de 2013

Brasil - Grande País de Pequenos Homens

Nascemos nesse continente chamado Brasil e nos orgulhamos da nossa grandeza: o maior rio do mundo é nosso, a maior floresta, a maior usina hidroelétrica. Um país realmente grande, de recursos fartos, de gente bonita. As grandes proporções não estão apenas na terra bruta, já que agora somos a sétima economia do mundo. Exportamos carne, soja e milho como ninguém. Agora até o petróleo faz parte da nossa riqueza.

Mas a escolha de um papa argentino quando, pela primeira vez, um brasileiro era bem cotado nos leva forçosamente a uma reflexão sobre nossa mediocridade. Onde estão os grandes homens dessa terra grande? Existem, estão escondidos, ou não são valorizados?



Se pensarmos bem, nossa escassez de grandes nomes é um quadro clínico. Na última Olimpíada, ficamos atrás de Jamaica, Cazaquistão e Irã. Num país de 180 milhões, grandes nomes do esporte contamos nos dedos. Sim, talvez Pelé seja aquela única referência que temos de grandeza, de alguém que foi o melhor do mundo no que fez e deixou sua marca perdurar. Mas só ele é pouco.



No ano passado, a expectativa foi grande pelo possível primeiro Oscar para um brasileiro. Todos torcemos para o Carlinhos Brown ganhar o prêmio de melhor música. A disputa era fácil, só tinha um concorrente... e perdemos. Enquanto isso, chilenos, argentinos e turcos não se cansam de levar a estatueta.

O prêmio Nobel é outra boa referência da grandeza de homens que não temos. Nem uma única premiação nas diversas áreas. No campo das guerras e revoluções, Tiradentes e Duque de Caxias são heróis de somenos importância, não inspiram ninguém. Políticos, tivemos o esquecido Rui Barbosa. Escritor, Machado de Assis.

Falta-nos certa vocação para a grandeza. Nossa terra que produz tanta coisa em abundância não consegue produzir homens de renome. Não germinam aqui mentes notáveis, espíritos brilhantes, gênios de qualquer tipo. Descabe falar de investimento, estrutura, dinheiro. Tudo isso ajuda, mas não é determinante.

Nosso complexo de vira-lata certamente tem grande influência nisso. Como vaticinou Sérgio Buarque de Hollanda, “somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra”. O Brasil foi uma experiência de colonização com ideias, projetos e características europeias, mas que mal se adaptaram ao clima dos trópicos. Somos crianças que não se preocupam em crescer; contentam-se em vestir as roupas dos pais e se sentir grandes.



Talvez seja mero destino. As grandes personalidades da história calharam de nascer alhures. E ponto. Difícil de acreditar nessa tese.



Ou talvez a culpa seja nossa, que não prestamos o respeito devido aos nossos notáveis. Enquanto Miguel Nicolelis avança em suas pesquisas neurocientíficas mundo afora, aqui só há olhos para o lek lek e para as paródias no youtube.

Razões pode haver várias, mas o fato é esse mesmo. Nosso grande país tem carência de grandes homens. Como resolver esse grande problema? Não sabemos, mas o papa é argentino...

Um comentário: