quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O Antipatriotismo de Patriota


Patriota chegou ao Ministério das Relações Exteriores com a mesma visão de seu antecessor: o terceiro-mundismo atrasado do Itamaraty. A política do “inimigo do meu inimigo é meu amigo” nos aproximou de ditaduras e nos afastou das maiores democracias do mundo.

Mas se as trapalhadas de Celso Amorim trouxeram alguns prejuízos consideráveis, sua pró-atividade expandiu a imagem do Brasil mundo afora. O desejo ardente por uma vaga no conselho de segurança da ONU e a vontade de Lula em se portar como um líder relevante colocaram o Brasil na linha de frente do cenário internacional. O que perdemos em negócios estratégicos ganhamos em projeção externa.

A dupla dinâmica Lula-Amorim, expansiva e espalhafatosa, deu lugar à discrição molenga de Dilma-Patriota. O capital diplomático do Brasil foi se perdendo na inação e nos descompassos entre o chanceler e a presidenta, mas a ideologia exclusivista sul-sul perdurou nesses anos de crise.

Persistiu aqui o alinhamento automático com as nações abaixo do Equador econômico. Lula resmungava que a crise de 2008 tinha sido produzida por brancos de olhos azuis. Dilma repete o engodo, reclamando que a política cambial dos EUA tem prejudicado a recuperação dos emergentes. A irracionalidade do “nós contra eles” não levou a qualquer lugar. Tivemos uma recepção de gala em Washington para falar sobre nada. Ao contrário, estamos ocupados em refinanciar a dívida externa de ditaduras africanas como Congo, Sudão e Gabão.

Aqui nas Américas, ficamos a reboque do bolivarianismo. A liderança do continente deveria ser nossa por vocação: maior território, maior população, maior economia, maior relevância política. Não se trata de imperialismo tropical, apenas liderança.

Enquanto Cristina Kirchner censurava a imprensa e esmagava a oposição, Morales nacionalizava a Petrobrás, Chávez fazia plebiscitos para perpetuar o poder e o Paraguai era suspenso do Mercosul para permitir a entrada da Venezuela, assistíamos a tudo distantes, na retaguarda dos outros líderes.

A letargia da política externa impactou no Mercosul, bloco que apenas atrasa possíveis acordos econômicos. Chegamos ao cúmulo de assistir à criação de um novo bloco à nossa revelia, no nosso quintal, a promissora Aliança do Pacífico.

E a diplomacia foi tingindo tudo com essa tinta ideológica, até a saúde pública brasileira. Ou alguém duvida que o Mais Médicos, entre outros objetivos, serve para financiar a ilha dos irmãos Castro.

Chega-se na crise com o senador boliviano. Falta alguém explicar a diferença entre Roger Molina e Cesare Battisti. Os dois foram condenados pela justiça de seus países. Os dois pediram asilo político ao Brasil. Por Battisti, o Brasil brigou e enfrentou uma crise diplomática. Já Molina definhava há 15 meses na embaixada brasileira em La Paz aguardando um salvo-conduto.

Mais uma vez, a ideologia ditando o passo das relações externas. Battisti era da esquerda revolucionária, enquanto Molina faz oposição ao bolivariano Morales.  

Patriota vai e deixa como marca um apequenamento do Brasil. Por enquanto, não há indicação que as coisas irão mudar com a chegada de Luiz Alberto Figueiredo. O mundo está à beira de uma guerra no Oriente Médio. Ótima oportunidade para o Brasil recuperar seu protagonismo como player global.

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