quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Nova peça no tabuleiro eleitoral


As peças de 2014 já estavam posicionadas e as movimentações eram previsíveis. A Rede de Marina saiu fora da jogada. Ficaram Dilma, Aécio e Eduardo Campos. Esse último aos poucos seria convencido por Lula a abrir mão de sua candidatura, assim como ocorreu com o PSB em 2010. Sobraria então o monótono jogo do nós contra eles, do PT contra PSDB, do quem fez mais e melhor, do quem é o responsável pela estabilização da economia e pela inclusão social.

Há uma nova peça no tabuleiro. Peça híbrida, a semelhança de uma rainha, que pode se movimentar em todas as direções. A peça é a dupla Marina/Campos. Inesperada, imprevisível. É o movimento dessa peça que irá definir os rumos das eleições do ano que vem.

Algumas coisas a considerar. Primeiro, quem é o eleitorado de Marina Silva, a ex-petista, ex-verde, que amealhou mais de 20 milhões de votos na última eleição tendo apenas 1 minuto na propaganda política? A resposta abarca tudo. Esquerdistas desiludidos com a gestão petista, direitistas descrentes de um governo tucano, ambientalistas e socialistas radicais, conservadores que querem resgatar a ética, eleitores que se posicionam contra a política tradicional.

Segundo: qual é a porcentagem desse eleitorado que Marina conseguirá levar para sua chapa com o PSB? Os institutos de pesquisa terão um final de semana cheio, já que vários partidos já encomendaram as suas para escanear o eleitorado brasileiro e o recente movimento político da senadora. Posto não se tratar de um eleitorado fiel e homogêneo, a tendência é que as preferências sejam pulverizadas entre os três candidatos (Dilma, Aécio e Campos).

Terceiro: que força terá um candidato a vice-presidente? Em geral, não há nenhum apelo popular na escolha do vice. A decisão é tomada para acomodar um partido importante integrante da chapa (Michel Temer e Marco Maciel) ou pessoas que representem um eleitorado específico e decisivo (José Alencar). Por enquanto a novidade da parceria Marina/Campos produziu barulho relevante, mas até que ponto Marina, enquanto vice, conseguirá mobilizar votos para o titular da chapa.

O quarto ponto é o mais complicado: como se dará a relação entre Marina Silva e Eduardo Campos. A bem da verdade, cada um trilhava um caminho antagônico. Marina corria pela via política não institucionalizada, surfando na ideia da “rede”, condenando com seus “sonháticos” a política tradicional do fisiologismo, das alianças espúrias em nome de apoio político. Já Campos colocava o pragmatismo eleitoral em ação, fechando acordos com líderes do agronegócio e do empresariado nacional, cooptando para o “socialismo” do PSB o apoio de Ronaldo Caiado e da família Bornhausen, fazendo negócios com partidos de aluguel para aumentar o tempo de TV.

Para a aliança progredir, um dos dois terá que ceder em seus caminhos, e o discurso comum deverá ser afinado ao máximo para evitar contradições. Como as fragilidades dessa aliança estarão expostas aos inimigos da dupla (principalmente Lula), o acerto entre os dois deverá ser rápido e bem encaixado.

O momento é de cautela, cada jogador agora pensará duas vezes antes de qualquer ação. Lula pode voltar caso a candidatura de Dilma esteja ameaçada. Serra sempre será uma ameaça no ninho de cobras tucano, torcendo para Aécio não decolar nas pesquisas. DEM, PDT, PP, PSC e PR, partidos satélites das grandes coligações, venderão mais caro seu apoio político.

Todas as jogadas poderão levar a mais um embate PT x PSDB, mas até lá o jogo será mais dinâmico e complexo do que seria se não houvesse uma peça nova no tabuleiro do xadrez eleitoral.    

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