quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Era melhor a impunidade


A prisão dos mensaleiros foi decretada pelo Ministro Joaquim Barbosa no dia da República. O 15 de novembro, feriado comemorativo, transcorreu com a cobertura do encarceramento de Dirceu e companhia.

Convenhamos, ninguém queria um tema tão polêmico no único feriado do segundo semestre. Dia da independência, dia das crianças, finados, todos caíram em final de semana. O que o brasileiro queria mesmo era um diazinho sem expediente curtindo amenidades. A prisão foi uma bomba nas nossas humildes pretensões.

Talvez tenha vindo daí tanta passividade na recepção da notícia. E o que tempos antes era visto como a consagração da justiça de um país, como a prova de que o Brasil finalmente iria para frente, gerou uma perplexidade boba, uma descrença silenciosa.

Ainda hoje há no ar algo de estranho, alguma anomalia, algo como uma chuva no meio de agosto. Ninguém critica a refrescância da água, mas parece que não era o tempo certo, não era para ser assim.

A prisão dos mensaleiros – quem não ouvia isso como uma quimera, um mais do mesmo da impunidade nacional? Por outro lado, quem não se consolava com a ideia de que “no dia que acontecer o Brasil começa a mudar”? Todos se firmaram nessa promessa de justiça. Diretores de banco condenados, políticos presos, a corrupção sendo varrida dos altos escalões da República, isso sim era tratar a todos igualmente.

E no entanto aconteceu. O homem que já foi o segundo mais poderoso do Brasil por um bom tempo encontra-se neste momento no Presídio da Papuda, em Brasília. Ex-presidentes de partido e altos funcionários de bancos também.

E só o que se fala é na data em que foram emitidos os mandados de prisão. 15 de novembro, Joaquim! Isso foi casuísmo, foi espetacularizar as prisões. Por que não esperar mais um dia? Dia 16 de novembro. Mas é o Dia Internacional da Tolerância, não daria. Dia 17, 18, 19 é o da bandeira, 20 o da consciência negra. Espera mais um pouco. Daqui a pouco é dezembro, natal, fim de ano. Melhor deixar as coisas para 2014. Para que a pressa?

Engraçado, como se um processo que começou a correr no longínquo ano de 2007 não pudesse ter um fim. E que dizer  do tratamento dos presos, passando o dia e a noite no cárcere? Absurdo, desumanidade! Como se alguém que foi condenado a mais de 7 anos de cadeia não pudesse passar o dia na prisão. E o tal de regime semi-aberto? Não cola, uma lidinha na Lei de Execuções Penais (nº 7.210/1984) fulmina qualquer dúvida.

Mas afinal foram eles que venceram. Eles, os presos políticos. Eles que foram conduzidos ao cárcere confiantes, com um sorriso no rosto, aplaudidos por simpatizantes. Eles que atraíram a compaixão da mídia pela água fria do banho da prisão, eles que silenciaram a oposição, eles que acabaram com a esperança do povo.  

Ah, se tivéssemos ainda uma esperança... Nenhuma resta agora que políticos foram presos. A resposta antes era mais fácil – acabar com a corrupção e extinguir a impunidade; prender corruptos.

Mas e agora, José? Ou melhor, Joaquim?

Já que começamos falando de datas, terminemos com elas. Quem sabe no carnaval tenhamos alguma resposta, fevereiro está aí...

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