sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Roda Mundo (4): a semana contada em voltas


Duas confissões constrangedoras finalizaram a semana que começou com um grande funeral. Na segunda-feira era enterrado com grandes homenagens públicas Ariel Sharon, a raposa militar de Israel. Sharon participou ativamente dos conflitos palestinos, e até no dia de seu enterro a tensão árabe-israelense se fez presente – mísseis foram lançados da Faixa de Gaza contra o sul de Israel. Religiões e raças há muito em conflito.

Religião em conflito consigo mesma é a católica. Os casos de exploração sexual pipocam pelo mundo inteiro, mas o Vaticano sempre agiu com parcimônia ao acobertar os padres. Por isso a prestação de contas à ONU indica mudança de postura, alguma boa vontade em colaborar para a punição desses crimes. Alguma hora a Igreja Católica teria de apagar esse fogo já iniciado há tempos.

E Obama também teve de dar uma de bombeiro. O aparato de segurança dos EUA é um monstro sem limites, e certamente não começou com o atual presidente. O que começou na sua gestão foram as revelações constrangedoras da vigilância norte-americana. Obama relutou em assumir como sua responsabilidade algo que já vinha sendo feito antes dele, algo que sempre foi feito pelos presidentes anteriores. Mas então prestou contas ao mundo falando que não vai mais espionar países aliados. E logo agora que todos queriam saber de segredos da França...

O segredo francês que foi mantido por mais de dois anos era o caso amoroso entre o presidente François Hollande e a atriz Julie Gayet. E a primeira-dama, quando soube do chifre através de um tabloide, teve um piripaque nervoso e está até agora em um hospital. E o presidente galanteador afirmou que não vai comentar fatos de sua vida privada.

Vida privada em tempos de redes sociais é um sonho utópico. Nosso Ronaldinho Gaúcho que o diga. A foto do atleta em uma piscina com diversas mulheres de biquíni aos seus pés foi sendo compartilhada pelo WhatsApp até que ganhou notoriedade completa na grande mídia. E isso em ano de Copa.

Em ano de Copa quem ganhou a Bola de Ouro, até que enfim e finalmente, foi Cristiano Ronaldo, o vaidoso jogador português. Nas edições anteriores, quando Messi era sempre o agraciado, Ronaldo via a consagração do rival com cara emburrada, de bico fechado e olhos quase chorando. Ele ganhando nos livra dessa cena infantil.

E os rolezinhos, passeio infantil ou ajuntamento de marginais? Difícil saber. Preconceito dos shoppings ou cautela com propriedade privada? Difícil saber. A grande inserção dos jovens da classe C nos mercados e espaços públicos é uma tendência que pode sim gerar tensões. Mas a essa geração ensinaram que vandalismo é protesto legítimo, e aí a coisa pode fugir do controle.

O que quase fugiu do controle foi a relação de amor e ódio entre PT e PMDB. A reforma ministerial no final de janeiro é aguardada pelos peemedebistas para acomodar o Senador Vital do Rêgo no Ministério da Integração Nacional. Dilma deu preferência ao recém-criado PROS, e a coisa desandou em Brasília. Várias reuniões durante a semana e pelo menos o clima ficou mais ameno. Em ano eleitoral não se pode brincar.

Nem mesmo o Banco Central está brincando. Nova reunião do Copom, novo aumento da Selic. A inflação é um fantasma que deve ser extirpado em ano de eleição. Bom, mas e o crescimento econômico, e a promessa de Dilma de reduzir os juros? Com isso dá para brincar mais um pouco.

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