terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Eu (não) acredito na rapaziada


Gonzaguinha um dia cantou alegremente sobre a rapaziada:

Eu acredito é na rapaziada
Que segue em frente e segura o rojão
Eu ponho fé é na fé da moçada
Que não foge da fera e enfrenta o leão

Não se sabe que rapaziada era essa que o Gonzaguinha acreditava, essa moçada e essa juventude que o animava tanto. Talvez fosse o pessoal da vizinhança, os meninos que jogavam bola na rua, os jovens que agitavam um pagode em algum boteco próximo. O certo é que a juventude era a grande inspiração para o cantor popular. Essa boa disposição de viver, enfrentando as feras com coragem e conservando a alegria de viver. Isso era em 1980.

De lá para cá a rapaziada seguiu em frente, segurando o rojão. E atirando o rojão em atos de vandalismo. Por isso eu não acredito mais na rapaziada.

Essa rapaziada nasceu após a música do Gonzaguinha, e hoje forma toda uma geração com características semelhantes. Jovens com mais ou menos trinta anos, que acumulam diplomas e viagens ao exterior, e que praticam como única religião o culto ao bem estar e à qualidade de vida. O bloco dessa mocidade desfila com desenvoltura pela era digital.

Mas faltava ainda uma coisa para agregar valor ao currículo, ou melhor, ao perfil das redes sociais. O engajamento político-social. Como isso é belo! Posar de revolucionário e postar as fotos ao mundo inteiro. Vamos brincar de primavera árabe, de revolução cubana!

E o mais curioso foi ver o Estado abismado e paralisado com as manifestações. Era o retrato de uma família dominada pelos esperneios dos filhos, dessas que só a Super Nanny é capaz de resolver. O filho chorando e quebrando os brinquedos no chão, e os pais olhando sem graça para todos em volta, incapazes de dar fim ao pranto caprichoso. Era a imagem do Estado e da polícia encarando seus filhos, inertes, sem saber o que fazer e perdendo o controle da situação.

Protestos, baderna, vandalismo, barbárie. Sem controle e sem freios, um ato foi levando ao outro. E a arruaça impune não foi privilégio dos afortunados, dos manifestantes de classe média das universidades federais. Os rolezinhos vieram para colocar os mais humildes no bolo das confusões.

E há alguns da rapaziada que preferiram brincar de polícia, saindo pelas ruas como justiceiros, prendendo um “marginalzinho” no poste. Sintomas de uma geração desnorteada.

É pena que a consciência dessa situação absurda foi tomada a preço de sangue. Quem sabe agora o medo ilógico de manifestantes, que faz órgãos públicos e shoppings centers fecharem, seja extirpado pela contenção comedida da violência.

Pensando bem, a Lei da Palmada está aí para ser aprovada, e o Estatuto da Juventude já falou que a juventude vai até os 30...

Nenhum comentário: