sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Aécio, Marina e o voto útil

Parece claro que o eleitor terá um compromisso no dia 26 de outubro. Com a subida acentuada de Marina, o segundo turno já está sacramentado, a não ser que a própria Marina consiga a proeza de vencer ainda no primeiro turno.

Quando Eduardo Campos encontrava-se tragicamente com a morte e a sorte de Marina parecia mudar, a dúvida que se lançou aos analistas políticos foi a mesma – se sua subida era inevitável, de quem ela tiraria votos? A um mês das eleições, a pergunta já está parcialmente respondida. Marina arrasou com Aécio.

O eleitorado marineiro é de difícil avaliação. Congrega evangélicos, sonháticos, manifestantes de junho, desiludidos com a política, desiludidos com o PT, e eleitores avessos ao PT que migraram de Aécio para a viúva de Campos. Consolidada a mudança de posição entre os dois candidatos de oposição, surge o argumento do voto útil.

Em eleições majoritárias, o fenômeno é comum. O eleitor não quer “desperdiçar” seu voto escolhendo candidatos com poucas chances de vitória. O desejo de contribuir para o resultado faz com que o eleitor mude o voto para o candidato que mais se aproxima de suas preferências, mas que tenha alguma chance de vencer o pleito.

É o que explica em parte a migração em massa dos votos de Aécio para Marina. Conforme se perceba que o tucano não terá mesmo condições reais de chegar ao segundo turno, a migração pode inclusive aumentar. Chama-se isso de efeito psicológico, teorizado por Maurice Duverger, cientista político francês. Além do efeito psicológico, as eleições majoritárias contam ainda com o efeito mecânico, que é a sub-representação dos partidos minoritários.

O resultado prático é que em eleições majoritárias tende-se ao bipartidarismo. É o que ocorre, por exemplo, nos EUA, onde todas as votações se dão pelo sistema majoritário. Mal ou bem, nosso sistema proporcional de escolha para a Câmara dos Deputados permite grande diversidade de representação e afasta os riscos de uma polarização restrita.

A luta de Aécio é para se manter viável como opção política até o primeiro turno. Tudo indica que sua campanha já malogrou diante de sua descendência contínua desde a chegada da onda acreana. Se nenhum evento de ampla repercussão se suceder nos próximos vinte dias, então será cada vez maior o discurso do “tudo vale contra o PT”.


O voto útil do eleitor servirá assim para polarizar a campanha entre o PT, partido que atualmente ocupa um dos polos políticos, e Marina Silva, a alternativa da velha polarização.

Nenhum comentário: