terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O homem que acabou com o Natal

Em julho, verde e amarelo. Em outubro, rosa. Novembro, azul. E dezembro a escuridão. As luzes que enfeitam a Esplanada dos Ministérios e outros monumentos de Brasília tingiram a noite de cores mágicas nesse ano de 2014. Mas justo no mês mais brilhante do ano, a noite tem sido tragada pelo escuro. A perspectiva não é de que elas acendam, mas que mais trevas se percebam à frente.

O apagão do natal é metáfora pronta para retratar o fim melancólico do desgoverno de Agnelo. Se João de Santo Cristo chegasse na Rodoviária da capital em 2014, vendo a greve dos ônibus e sem o encanto das luzes de natal, talvez voltasse para Salvador.

O fenômeno dos governos falidos de Brasília, aliás, evoca o questionamento sobre a conveniência da autonomia política do Distrito Federal. Depois de Roriz e Arruda, Agnelo escreve seu nome no memorial da incompetência e ladroagem. Como a região com o maior IDH do país não consegue se firmar politicamente? Se o problema estivesse apenas no Buriti, mas nossa Câmara Legislativa é folclórica...

O circo armado nas eleições desvelava as nuances da tragicomédia candanga. O corrupto filmado era o primeiro disparado nas pesquisas de intenção de voto, e teria ganhado se a justiça não tivesse impugnado sua candidatura. O governador Agnelo, tendo a favor o peso da máquina eleitoral, apresentava-se como figura reticente, muitas vezes gaguejando, com olhos perdidos tentando enxergar a custo a realidade que sua equipe de marketing havia criado. Se estava sendo sincero, era lunático; se não, era hipócrita.

Mas se é para ser ruim, tem de ser superlativo, quebrando recordes, alcançando marcas inéditas. E foi a primeira vez que o Brasil assistiu a um segundo turno sem a presença do candidato à reeleição. A rejeição a Agnelo era tão grande que ele perdeu para um candidato com apenas três semanas de campanha.

No segundo turno, o sentimento humanitário reclamou misericórdia a Agnelo. Com efeito, o governador foi chutado e enxotado de um lado para o outro. Todos dispensaram seu apoio, e, pior, quiseram distância de sua imagem. Dia a dia seu nome aparecia na televisão como sinônimo de tudo aquilo que os eleitores não desejavam mais. Tamanha execração pública com o homem que ainda era titular do governo do DF incitou um sentimento de pena. Coitado, pode ser incompetente, mas ainda é homem...

O que se seguiu então serviu para fulminar de vez qualquer simpatia ou compaixão porventura nutrida por Agnelo Queiroz. O fim do ano de 2014 não é comparável nem mesmo ao governo de Wilson Lima, o ex-vendedor de picolé, que assumiu em 2010 na esteira da crise de Arruda. Se naquela época havia se instalado uma crise institucional, o caso aqui é mais de incompetência pura, aliada à má vontade de alguém que não tem dignidade como candidato derrotado.

Incompetência até para dar calote. Não pagar servidores da saúde e educação, justamente as áreas mais fundamentais do governo! Quanta audácia (ou burrice). Mas todos sabem que dinheiro para trocar pardais e renovar contratos com empresas camaradas não faltam.

Foram quatro anos de aumento da criminalidade, agravamento dos problemas na saúde, ausência de qualquer projeto de grande porte, e a drenagem de todos os recursos para a construção do Estádio Nacional. Dezembro parece se arrastar em meio a chuvas, apagões e atraso generalizado nos pagamentos.


Para o fim do ano, uma promessa (talvez a única que seja de fato cumprida): o corte das luzes de natal e dos shows e fogos do ano novo. Crianças, quem tirou a magia do fim do ano e quer acabar com o natal não foi o Grinch ou outro monstro. Foi Agnelo Queiroz. E já tem criança escrevendo cartinha ao Papai Noel pedindo que o bom velhinho dê uma bicicleta de presente ao governador, para que ele suma de Brasília o quanto antes pedalando nas suas ciclofaixas. 

2 comentários:

Raphael Lacerda disse...

Excelente texto!
Parabéns!

Anônimo disse...

Muito bom. Bem que ele poderia ler esse artigo Rodrigo e posteriormente o nosso futuro governador, para que ele antes de qq atitude pense muito.
Gerusa