quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Terrorismo em Paris: exercitando a tolerância

- Você viu o atentado em Paris? Caramba, 12 mortos...

- Pois é, triste né. Mas sabe que eu acho que os caras passaram dos limites?

- Claro que sim, onde já se viu entrar matando assim!

- Mas eu me refiro aos cartunistas.

- Como assim?

- Ah, cara. Você viu as charges que eles publicavam? Totalmente desrespeitosas contra o islamismo.

- Você está defendendo os terroristas?

- Não, calma aí, não estou defendendo. Só estou falando que o jornal foi longe demais. Ofendeu a religião de muitas pessoas.

- Ué, engraçado, porque você mesmo não se cansa de acusar os “fundamentalistas religiosos” aqui no Brasil, e falar que eles são extremistas, alienados que querem impor o estilo de vida deles a todo o mundo, e na hora de condenar autênticos fundamentalistas religiosos, que matam outras pessoas de graça, você vem com esse discurso.

- Você não está entendendo o meu ponto. O que eu quero dizer é que a liberdade de expressão tem limites, e que não é legal ficar cometendo ultrajes à religião alheia só porque existe esse escudo jurídico.

- Mas não foi você mesmo que estava outro dia me mostrando uns vídeos do Porta dos Fundos que escarneciam do cristianismo?

- Foi, mas isso não tem nada a ver. É humor.

- Na França também era humor, as charges tinham um tom satírico. O que eu acho é que você tem uma simpatia pelos muçulmanos e uma implicância com cristãos, e fica a todo tempo tentando adequar o seu discurso conforme o caso. Estou lembrando que um tempo atrás você estava defendendo a Palestina contra os ataques de Israel.

- Não me entenda mal: eu não defendo a violência ou o terrorismo. No caso da Palestina o que eu condenava veementemente era a desproporção de forças, um exército bem equipado matando vários miseráveis armados com pedras.

- Então você acha proporcional reagir a charges de humor negro com tiros e mortes?

- Não, claro que não! O que eu quero dizer é que aqueles franceses contribuíram para o atentado incitando o ódio. Só isso.

- Você está culpando as vítimas pelo crime então?

- Em parte. Sim.

- Engraçado de novo. Me lembro que depois daquela pesquisa do Ipea sobre estupro você chegou aqui indignado, falando que a sociedade brasileira é machista e patriarcal porque muitos acham que a mulher que usa roupas indevidas tem culpa se é estuprada.

- Um absurdo isso mesmo.

- Mas você está usando o mesmo argumento que condenou naquela ocasião. Culpando a vítima.


- Não estou não, são coisas diferentes. Olha só, você só fica aí reproduzindo os argumentos da grande mídia e não sabe que é manipulado. Não tem como conversar com você. Vamos mudar de assunto.

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