sexta-feira, 13 de março de 2015

Roda mundo: a semana contada em voltas

A semana não esperou a segunda para começar. O anoitecer pacato do domingo foi quebrado pelo tilintar de panelas, alastrado por todo o Brasil. O panelaço marcado pelas redes sociais ofuscou o pronunciamento de Dilma Rousseff. As vaias e gritos, juntamente com as panelas, mostraram um país sem paciência com a crise econômica e as desculpas do governo. Mas a manifestação reascendeu a clivagem política, marcante do período eleitoral, e a indignação democrática foi logo taxada de golpismo.

Era a semana da mulher, e que ironia ver nossa Presidente vaiada de novo, dessa vez em São Paulo. Mulheres lutando por salários iguais e cargos de direção, mas ofendidas quando se deparam com a avidez da pressão popular, que não poupa gênero. Hillary Clinton também está na luta pela liderança, mas vê-se atacada por todos os lados, democratas e republicanos. Onde estão seus emails e lista de ligações? Os americanos não querem com isso entender as mulheres, mas saber o que fez Hillary enquanto Secretária de Estado.

Mulheres. Se estiver difícil de encontrar alguma, a saída é fazer um anúncio num outdoor. A ideia foi usada por um agricultor em Santa Catarina. “Procuro minha alma gêmea”. Lá por aquelas bandas, na nossa irmã, que não é gêmea, uma tragédia com dois helicópteros. A Argentina viu morrerem alguns atletas olímpicos franceses que lá faziam um reality show.

A França entrou de luto. E a União Europeia continua na crise. Enquanto o dólar sobe e os EUA demonstram maior pujança econômica, a saída é alterar a política monetária e injetar euros no mercado. O euro mais barato fica mais vantajoso para o turismo. Mas a Europa sabe se precaver da balbúrdia dos turistas. Primeiro Versalhes, e agora o National Gallery de Londres proibiram os paus de selfie.

Foram longe demais? Nunca é longe demais quando o assunto é Venezuela. Agora, Maduro pediu autorização para governar mediante decretos. Chamou de lei anti-imperialista. Seu remédio para lidar com o imperialismo americano é tornar-se um imperador bolivariano.

E por falar em Bolívia, o Acre, que adquirimos desse país, submergiu diante das chuvas. A capital ficou debaixo d’água, e o governador do Estado, Tião Viana, ficou na lista Janot. Terá de se explicar perante a justiça.

Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, se explicou perante a CPI da Petrobrás. Alegou não ser o dono da casa amarela, local de encontro para pagamento de propina. Acusou o Ministério Público de parcialidade nos pedidos de inquérito, e saiu da comissão incólume.

Aliás, a semana assistiu a uma série de defesas de inocentes. Ninguém sabe de nada, ninguém recebeu nada. O dólar não acreditou nas lorotas e disparou, fechando a semana quase 20 centavos a mais do que começou.


E a sexta será de protestos pagos e calculados. “Trabalhadores” da CUT marcham em defesa da Petrobrás e do Brasil. Domingo será outro exército que se reunirá. O que será dessa batalha é coisa para a semana que vem.  

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