quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Impeachment - idas e vindas políticas



De novo a China: 

O Congresso rejeitou a posse do Vice João Goulart em 1961 porque ele estava na China comunista.
Em 2016, o Vice Temer foi empossado às pressas justamente para viajar para a China capitalista, que recebe reunião das 20 maiores economias do mundo. 

Em 1992: 
Em 1992, as Olimpíadas eram disputadas em Barcelona, Neymar acabava de nascer, Romário era jogador pelo PSV, Lindbergh era líder estudantil, Sérgio Moro era estudante de direito e Bonner e Fátima tinham dois anos de casados. 

Baianos: 
Na Câmara, Bahia, Ceará e Amapá foram os únicos estados onde venceu o voto contrário ao impeachment. Já no Senado, apenas a Bahia. 

1954, 1964, 1992, 2016: 

Muitos senadores quiseram reviver momentos passados como se a história se repetisse. 
Requião leu a carta-testamento de Getúlio Vargas evocando a similaridade do momento. Mas Dilma não se suicidou e ao invés de carta pretende deixar um documentário.
Lindbergh tentou repetir os gritos de "Canalha" que Tancredo dirigia a Auro de Moura Andrade em 1964, quando esse declarou vaga a presidência da república. Mas em 2016 quem estava presidindo era o Presidente do STF e o processo de impeachment durou 9 meses... 
Collor contou sua experiência de impeachment em 1992 por diversas vezes e disse que o governo de Dilma era uma "tragédia anunciada" e que houve dois pesos e duas medidas. 

Centro-Oeste: 

No Senado, a coesão total pró-impeachment foi vista em todos os estados do Centro-Oeste: DF, GO, MT e MS. No Sudeste, só faltou Rio de Janeiro.  

PMDB no comando: 

Em 1992, o comando do Congresso durante o impeachment estava nas mãos do PMDB, com o deputado Ibsen Pinheiro na Câmara e Mauro Benevides no Senado. Em 2016 também. Eduardo Cunha na Câmara e Renan Calheiros no Senado. 

Tiro no pé: 

A possibilidade de fatiar o julgamento de Dilma veio de uma mudança no Regimento do Senado promovida pelo Senador Ronaldo Caiado em março de 2016 - a inclusão do destaque de bancada. Se não houvesse a alteração, o destaque deveria ser precedido de votação por sua admissibilidade, em maioria simples, e certamente seria rejeitado. 

Governo dividido: 
Desde que as eleições para presidente e para o Congresso passaram a ser disputadas no mesmo ano, em 1994, nunca um partido comandou Presidência da República, Câmara e Senado ao mesmo tempo. O PMDB chegou bem próximo, e teria o comando das três instâncias caso Cunha não tivesse sido afastado da presidência da Câmara.  

Café com leite: 

Desde a redemocratização, São Paulo e Minas ainda dão as caras na política. Os presidentes que não eram dos dois estados (Collor - Alagoas; e Dilma - Rio Grande do Sul) sofreram impeachment. Já FHC e Lula, ambos de São Paulo, terminaram seus mandatos. Tancredo era de Minas, mas morreu antes da posse, fazendo do maranhense Sarney a exceção. 

O número: 

13, o número escondido das campanhas, foi exatamente o número de anos do PT na presidência da república.

Maioria:

Somados os 347 votos na Câmara e os 61 votos no Senado, há uma maioria de quase 70% do Congresso que quer a saída de Dilma. 

Vai ter luta?
Diz-se que Dilma é valente porque lutou por seus ideais contra o golpe de 1964. Mas se há golpe em 2016 ela também irá pegar em armas? Ela se excedeu no passado ou se acovardou no presente?

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